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Baixaria - com Cesário Braga

Assistência Técnica: a Infraestrutura Invisível do Desenvolvimento

Assistência Técnica: a Infraestrutura Invisível do Desenvolvimento

Se os ramais são o elo físico da integração produtiva entre quem produz e quem consome, a assistência técnica é a infraestrutura invisível que garante que esse caminho funcione. Ela não aparece nas manchetes, mas define se o crédito vira investimento ou dívida, e se a política pública gera resultados ou se transforma em desperdício de dinheiro público.

A Amazônia — e o Acre, em particular — conhecem bem os efeitos da ausência de assistência técnica contínua. Durante anos, políticas, investimentos e equipamentos chegaram de forma fragmentada, sem acompanhamento permanente na zona rural. O resultado está à vista: implementos abandonados nos quintais, máquinas esquecidas debaixo das mangueiras e prédios públicos sem uso. O saldo é baixa produtividade, dificuldade de acesso a mercados e desperdício de recursos públicos.

É preciso romper com a ideia equivocada de que assistência técnica se resume a ensinar a plantar, podar, colher ou corrigir o solo. Assistência técnica é planejamento produtivo, gestão da propriedade, organização coletiva e leitura de mercado. É o que transforma esforço individual em estratégia econômica coletiva e produção em geração e distribuição de renda.

A assistência técnica pública, historicamente, cumpriu papel central nesse processo. No entanto, foi sucateada ao longo do tempo, perdendo presença territorial e capacidade operacional. Sem orçamento, valorização e estrutura adequados, assistência técnica não se sustenta — vira ação pontual, feita apenas para registro fotográfico.

Ao mesmo tempo, a ATER privada avançou no Acre, especialmente no apoio ao acesso ao crédito rural. Escritórios e profissionais passaram a ocupar um espaço relevante, ajudando a fazer a política pública chegar ao produtor. Esse avanço não é um problema — é parte da solução.

ATER pública e ATER privada não se excluem. São complementares e precisam caminhar juntas. A assistência técnica pública garante presença territorial, planejamento de longo prazo e organização; a privada executa, agrega agilidade, especialização e capacidade de resposta. Uma fortalece a outra.

A ideia é simples: política pública para a agricultura familiar dissociada da assistência técnica é aposta na sorte — e a gestão pública não pode se dar a esse luxo. Governar exige planejamento, acompanhamento e previsão de resultados, não improviso. Investir em assistência técnica não é gasto — é estratégia. Sem assistência técnica, nenhum caminho leva à integração produtiva da Amazônia.