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Café Sem Açúcar | Com Dora Monteiro

Barba, asfalto e simpatia: Alysson Bestene arregaça as mangas e leva gestão aos bairros

Barba, asfalto e simpatia: Alysson Bestene arregaça as mangas e leva gestão aos bairros

Depois de sair do banco de reservas e assumir a cadeira principal da Prefeitura de Rio Branco, o prefeito Alysson Bestene resolveu investir em duas frentes estratégicas: asfalto e barba alinhada. E, curiosamente, os dois parecem ter dado resultado. Com um estilo mais leve, sorridente e quase “genro ideal da política acreana”, Alysson caiu em campo inaugurando obras, visitando bairros e deixando a impressão de que acorda disposto até segunda-feira. As avenidas Ceará e Getúlio Vargas receberam atenção, mas o prefeito parece mesmo gostar é de aparecer nos bairros esquecidos, onde buraco ainda tem CEP próprio. Só falta combinar com o Saerb para a água chegar junto com o carisma.

São Paulo no coração

A acreana Marina Silva resolveu explicar publicamente por que escolheu São Paulo para tentar voltar ao Senado. Em entrevista à Band News disse que o estado teve papel decisivo em momentos delicados de sua vida, desde o tratamento de uma hepatite grave até a recuperação de contaminação por metais pesados. O relato foi carregado de memória pessoal e gratidão. Marina pode ter nascido politicamente no Acre, mas deixou claro que construiu uma relação afetiva profunda com os paulistas. Tanto que é casada com um paulista de Santos.

Biografia sem fronteiras

Na entrevista à Band News, Marina Silva lembrou toda a trajetória construída no Acre: vereadora, deputada estadual e duas vezes senadora. A ministra fez questão de dizer que sempre trabalhou “pelo Acre e pelo Brasil”, tentando afastar a ideia de rompimento com suas origens políticas. Nos bastidores, a fala foi interpretada como um movimento para reforçar sua imagem nacional, cada vez menos regional e mais ligada a pautas amplas do país.

Poeira nos sapatos

Há governos que se medem pelo gabinete. Outros, pela estrada. E há aqueles, cada vez mais raros, que tentam equilibrar os dois mundos sem perder o ritmo. Neste momento político do Acre, a governadora Mailza Assis parece ter escolhido o segundo caminho: o de quem governa com poeira de estrada no sapato e pauta na mão.

Conversa com resultados

No interior, o roteiro tem sido quase uma coreografia repetida e eficiente com a entrega de serviços, anúncios de investimentos, visitas técnicas e aquele tipo de conversa que costuma render mais resultado do que discurso longo em capital. Educação, saúde, regularização fundiária e infraestrutura seguem como os quatro pilares que sustentam essa agenda itinerante.

Mata a cobra e mostra o pau

E há um detalhe interessante nesse movimento: enquanto alguns políticos ainda disputam quem fala mais alto, Mailza parece disputar outra coisa: quem chega mais perto da realidade. Em Sena Madureira, no Alto Acre e em outros pontos recentes da agenda, o que se viu foi uma governadora que não apenas anuncia, mas também confirma o que já foi prometido por sua própria gestão.

Falta de água

Três dias sem água na parte alta da cidade e o cotidiano entra no modo improviso total. Garrafa mineral vira luxo doméstico e planejamento vira lembrança distante. A rotina se adapta, mas com aquele humor típico de quem já desistiu de reclamar alto. Enquanto isso, as explicações técnicas circulam mais lentas que a própria rede.

Política por stories

A ex-secretária Mardhia El-Shawwa publicou algo nas redes e foi o suficiente para transformar um simples story em espécie de “teoria de alinhamento político em tempo real”. Em questão de minutos, já havia leitura labial digital, decodificação simbólica e até projeções de futuras aproximações. Tudo baseado, claro, na tradicional ciência política do “acho que é recado”. Não disse nada, mas disse tudo, pelo menos para quem vive de interpretar silêncio.

Feijó, máquinas e liminares

Em Feijó, um rolo compressor virou protagonista de disputa entre Estado e gestão municipal. Circula que a máquina estaria sendo usada em obras próximas demais de endereços sensíveis demais. Enquanto isso, o juridiquês entra em campo com liminar, contra liminar e paciência curta. No meio, sobra poeira de rua e fumaça política, E a população só quer saber quando a estrada deixa de ser trilha.

Injeção no Parque Industrial

A gestão Mailza Assis anunciou mais R$ 2 milhões para recuperar o Parque Industrial de Rio Branco e já fala até em ampliar a área entre 25% e 30%. A visita técnica teve direito a análise de tráfego, conversa sobre expansão e muito discurso sobre “novas indústrias”. Agora, com emenda do deputado José Adriano, a ideia é abrir mais espaço porque, segundo o governo, já está quase tudo ocupado.

Samir Bestene defende IPTU em parcelas

O vereador Samir Bestene sugere parcelar o IPTU de quem ainda não pagou este ano de 2026 em cotas, ideia que sempre reaparece quando o bolso aperta e a criatividade fiscal floresce. É o tipo de proposta que transforma imposto em assinatura de boleto de loja de ar condicionado: paga-se aos poucos e reclama-se o ano inteiro. A prefeitura observa, a população respira e o debate segue firme no modo sobrevivência. No fim, é a política tentando ser facilitadora da realidade. Mas pelo menos o boleto fica mais “amigável”.