Tem gente que quando sai de um cargo já começa a medir gabinete, fazer conta de voto e planejar discurso. Sula Ximenes fez o caminho contrário. Abriu mão da pré-candidatura a deputada estadual e voltou para onde construiu sua marca: o Deracre.
A loira retorna com o currículo reforçado por obras que mudaram a vida de milhares de acreanos, como a Estrada da Variante, em Xapuri, e a tão sonhada Ponte da Sibéria, aguardada por mais de três décadas pelos moradores da região. Pelo visto, a saudade do barulho das máquinas falou mais alto que a dos palanques.
Botas no chão
Durante o período em que percorreu os municípios acreanos, Sula encontrou de tudo um pouco. Foi recebida por pequenos produtores, moradores dos ramais, lideranças comunitárias e criadores de gado. Em muitos lugares, a recepção parecia mais festa de reencontro do que agenda política.
No anúncio de sua volta ao Deracre, ela resumiu o sentimento ao dizer que há estradas esperando, ramais para abrir e obras que não podem parar. Traduzindo para o acreanês mais puro: trocou o pedido de voto pela poeira da estrada e pelas botas no chão.
Elas no comando
A próxima segunda-feira, 1° de junho, promete movimentar a Usina de Asfalto do Deracre. Juntas, a governadora Mailza Assis e a presidente Sula Ximenes lançam oficialmente a Operação Verão 2026, um dos maiores pacotes de obras e recuperação de infraestrutura do estado.
O simbolismo também chama atenção. Em um setor tradicionalmente ocupado por homens, são duas mulheres que estarão comandando máquinas, equipes, ramais, pontes e rodovias. Em tempos em que as mulheres ainda enfrentam tantos desafios e violência, a imagem de duas delas liderando uma das agendas mais importantes do Acre tem um significado que vai muito além da política.
Agora é aguardar para ver se o ritmo anunciado no lançamento vai se transformar em obras espalhadas pelos quatro cantos do estado. Se depender da empolgação demonstrada por elas, Marilza Assis e Sula Ximenes, o verão promete ser de muito serviço e pouca conversa fiada. Isso aí, meninas mulheres fortes e determinadas no comando, deixam os ares mais leves e mais favoráveis a nós, "Mulheres".
Vice em banho-maria
Mailza Assis segue governando, viajando, inaugurando e distribuindo agenda, mas a vaga de vice continua mais misteriosa que senha de Wi-Fi de gabinete. No MDB, todo mundo conversa; ninguém confirma. Enquanto isso, a cadeira segue reservada, esperando um ocupante com voto e coragem.
Alan em ritmo de noivo
Alan Rick comparou a escolha do vice a um casamento. A metáfora foi elegante, mas aumentou a curiosidade dos aliados. Nos bastidores, tem gente querendo saber quem vai receber a aliança e quem ficará apenas com o convite da cerimônia.
A pesquisa assombra
As pesquisas continuam sorrindo para Alan Rick, mas há um detalhe curioso: mais de 80% dos eleitores ainda não sabem espontaneamente em quem votar para governador. Traduzindo: tem muita campanha sendo discutida antes mesmo de boa parte do público entrar no estádio.
O peso da sigla
Embora apareça competitivo nas conversas para o Senado, Jorge Viana carrega nas costas uma marca que hoje pesa mais no Acre do que em outros tempos: a rejeição ao PT. Nos bastidores, aliados reconhecem que a estratégia será transformar a eleição em um julgamento de sua trajetória administrativa, e não da situação nacional da legenda.
Separar voto de partido
A estratégia é tentar convencer o eleitor a votar nele sem necessariamente votar no PT. Experiente, articulado e ainda com forte lembrança de suas gestões, Jorge aposta no capital político pessoal para atravessar a resistência que o partido enfrenta no estado.
Petecão procurando combustível
Sérgio Petecão entrou na temporada pré-eleitoral com um problema que nenhum político gosta de enfrentar: a frieza das pesquisas. Mesmo mantendo presença constante no interior e apostando no recall de quem já disputou quase tudo no Acre, o senador ainda não conseguiu empolgar os números. Nos bastidores, aliados admitem que a campanha precisará de mais que tradição e cafezinho em reunião para voltar ao pelotão da frente.
Mara: oposição aos iguais
Mara Rocha segue firme na pré-campanha ao Senado ocupando um espaço político bastante particular: o da oposição à oposição e, às vezes, até aos antigos aliados. Depois de romper pontes por onde passou, Mara aposta que o eleitor conservador inconformado ainda procura uma voz fora dos grupos tradicionais. Se a estratégia vai render votos, ainda é cedo para saber.
Turista de luxo
A passagem de Nikolas Ferreira pelo Acre continua produzindo repercussões. Entre elogios de aliados e críticas de lideranças indígenas, o deputado conseguiu uma façanha rara: transformar uma visita rápida em assunto de várias semanas.
Bittar e a Amazônia
Márcio Bittar garantiu que Nikolas foi conquistado pela causa amazônica. A frase agradou a plateia conservadora. Já os adversários responderam com a tradicional pergunta da política acreana: “conquistado por quem exatamente?”.
Sorrisos largos
O governo estadual começou a liberar pagamentos e valorizações para diversas categorias do funcionalismo. Em tempos de orçamento apertado, servidor recebendo prêmio costuma gerar mais aplauso que discurso em palanque.
O Acre da segurança
Novo concurso da PM, entrega de equipamentos e reforço na estrutura policial entraram na vitrine do governo. Em ano pré-eleitoral, segurança pública continua sendo uma das poucas pautas capazes de unir praticamente todos os discursos.
Capital da insegurança
O discurso de Samir Bestene, mais uma vez, está cobrando ação contra o avanço dos furtos e da insegurança em Rio Branco. O vereador citou reclamações de comerciantes e moradores, especialmente em áreas movimentadas da capital, e alertou para os prejuízos causados pelos constantes roubos de fios e equipamentos públicos. Na Câmara, Samir reforçou que segurança e crescimento econômico precisam caminhar juntos.
O jogo começou, mas nem tanto
A política acreana vive uma situação curiosa. Os candidatos já estão correndo, os partidos já estão negociando, os grupos já estão brigando, mas a maior parte do eleitorado ainda observa tudo da arquibancada. Por enquanto, a eleição de 2026 parece mais uma prévia do que um campeonato.