..::data e hora::.. 00:00:00
gif banner de site 2565x200px

Outras notícias

Advogada denuncia ameaças e misoginia durante atendimento a cliente e faz desabafo nas redes: “Não recuaremos”

Advogada denuncia ameaças e misoginia durante atendimento a cliente e faz desabafo nas redes: “Não recuaremos”

A advogada Marina Belandi, conhecida nas redes sociais como “Dra. do Produtor Rural”, publicou um desabafo contundente que repercutiu no meio jurídico e nas redes sociais ao relatar ameaças e ataques misóginos que teria sofrido durante o atendimento a uma cliente vítima de extorsão.

Especialista em crédito rural e ex-vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) nos triênios 2016–2018 e 2019–2021, Belandi afirmou que decidiu tornar público o caso após perceber que a situação ultrapassou os limites de um conflito jurídico e passou a representar, segundo ela, um ataque direto à sua atuação profissional e à condição de mulher.

Segundo a advogada, a cliente vinha sendo alvo de cobranças desde o ano passado por pessoas que se apresentavam como integrantes de uma organização criminosa. De acordo com Belandi, a vítima chegou a pagar uma quantia sob a promessa de que não seria mais cobrada, mas as ameaças voltaram a ocorrer posteriormente.

WhatsApp_Image_2026-03-10_at_16.00.58-2.jpeg

“Desde o ano passado minha cliente vem sendo cobrada, recebendo ‘cobradores’ se passando por pessoas de organização criminosa. Chegou a pagar um valor inclusive, com a garantia que não lhe cobrariam mais. Então iniciaram novas tentativas e novamente ameaças”, relatou.

A advogada contou que, nesta terça-feira, 10, acompanhava a cliente em uma delegacia quando novas intimidações ocorreram por meio de mensagens e ligações. Foi nesse momento que a vítima repassou o contato da defensora para que a negociação fosse tratada diretamente com ela.

“Estávamos na delegacia hoje diante da autoridade policial, e ameaças eram feitas. Ela passou meu contato para a pessoa falar comigo, que por certo momento começou também com ameaças dirigidas a mim”, afirmou.

Ao assumir a interlocução e solicitar que qualquer suposta dívida fosse formalizada por meio legal — como contrato ou processo judicial —, Belandi afirma que passou a ser alvo direto das ameaças.

No relato publicado nas redes sociais, a advogada diz que o homem alegou pertencer a uma organização criminosa que “não teme autoridades” e tentou desqualificar sua atuação profissional por ser mulher. Em determinado momento, segundo ela, o suspeito teria exigido falar “com um homem”, questionando sua capacidade de conduzir o caso.

A situação se agravou quando, conforme o relato, passaram a ocorrer ofensas pessoais e menções ao seu endereço residencial. “Naquele momento, a linha que separava a advogada da vítima foi rompida. De defensora, passei a ser alvo”, escreveu.

WhatsApp_Image_2026-03-10_at_16.00.58.jpeg

No desabafo, Belandi afirmou que decidiu tornar público o episódio não apenas como advogada, mas também como mulher que enfrenta o que considera uma tentativa de silenciamento. “No momento, não escrevo apenas como advogada, mas como mulher que sentiu na pele o peso do silenciamento que tentam impor a tantas outras todos os dias”, declarou.

Ela também criticou o que considera fragilidade institucional diante de situações semelhantes e defendeu a criação de mecanismos mais eficazes de proteção para advogadas que enfrentam ameaças no exercício da profissão.

Para Belandi, quando uma profissional é intimidada por causa de sua atuação ou identidade de gênero, o caso ultrapassa o âmbito individual e passa a atingir o próprio sistema de Justiça. “O ataque a uma advogada no exercício de sua função é um ataque ao Estado Democrático de Direito”, afirmou.

Ao final do texto, a advogada reforçou que não pretende recuar diante das ameaças e cobrou maior rigor das instituições no enfrentamento à violência contra mulheres no meio jurídico. “Eles querem que as mulheres recuem. Querem que tenhamos medo de ocupar espaços de defesa e proteção. Pois saibam: não recuaremos”, disse.