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Ateliê Yawa: A força ancestral e criativa das mulheres indígenas Yawanawá

Ateliê Yawa: A força ancestral e criativa das mulheres indígenas Yawanawá

No coração da Amazônia brasileira, no Acre, às margens do Rio Gregório, no município de Tarauacá, vive o povo indígena Yawanawá, pertencente à família linguística Pano. Após séculos marcados pela colonização e dominação, hoje os Yawanawá vivenciam um profundo movimento de resgate cultural, expresso por meio de seus rituais, plantas sagradas, cantos, celebrações e transmissão dos seus saberes.

É nesse território de memória viva, na Aldeia Nova Esperança, reconhecida historicamente por ter sido a primeira aldeia a reunir o povo após a expulsão dos missionários, que nasce o Ateliê Yawa, uma iniciativa social e artística voltada à preservação cultural indígena e ao desenvolvimento socioeconômico da comunidade, a partir do fortalecimento e do protagonismo das mulheres Yawanawá.

Mais do que um projeto de moda ou comercialização de produtos, o Ateliê Yawa é um movimento que nasce do desejo genuíno das próprias mulheres de criar, expressar e compartilhar sua cultura com o mundo, sem que elas precisem sair de seu território para se fortalecer economicamente.

Com o lançamento de sua primeira coleção autoral, o projeto busca consolidar seu posicionamento e tecer uma rede de apoio para suas próximas etapas. 

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Uma semente plantada pelas mulheres Yawanawá

A proposta do Ateliê Yawa surgiu em janeiro de 2022, a pedido de Raquel Nawashahu, cacica da Aldeia Nova Esperança, coordenadora e guardiã da iniciativa, quando as mulheres, em uma roda de conversa, manifestaram o desejo de confeccionar suas próprias roupas.

“Esse é um projeto que nasceu no coração da nossa comunidade indígena, em que mulheres talentosas estão criando uma moda sustentável e culturalmente rica. Nossas peças refletem o respeito à natureza e a prática de nossos saberes ancestrais”, compartilhou Raquel Nawashahu.

Esse anseio contou com o incentivo do Instituto Guardiões da Floresta (IGF) e com a assessoria da Maloca, expandindo-se em oportunidade de geração de renda contínua, favorecendo a melhoria das condições de vida da população local e o fortalecimento das mulheres da comunidade.

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Arte, espiritualidade e grafismos como linguagem viva

Os Yawanawá se reconhecem como o povo dos queixadas. Os queixadas são mamíferos da Amazônia que vivem em grandes bandos e, assim como os Yawanawá, valorizam a vida coletiva, o caminhar conjunto e a força do grupo: sabem que, unidos, seguem mais fortes.

A arte do povo Yawanawá conecta-se diretamente à forma de perceber e interagir com a vida e com a espiritualidade. Nas pinturas corporais e nos grafismos, plantas, animais e seres espirituais inspiram símbolos que comunicam e entrelaçam mundos visíveis e invisíveis, e cada padrão geométrico carrega significados, histórias e magia.

Conhecidos como “kene”, esses desenhos expressam um saber ancestral transmitido de geração em geração. É a partir dessa linguagem que o Ateliê Yawa constrói sua identidade artística, transformando grafismos tradicionais em estamparias ricas em memória, espiritualidade e pertencimento.

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Uma trajetória construída em etapas

Com uma trajetória iniciada em 2021, o Ateliê Yawa vem se construindo em etapas que refletem seu crescimento e impacto positivo:

Em 2022, as primeiras oficinas focaram no tingimento natural, com a elaboração de tintas a partir de plantas e minerais, produção de fixadores naturais e aplicação em tecidos. Técnicas de estamparia manual ampliaram as possibilidades de traduzir os grafismos ancestrais para os tecidos.

Foram utilizadas matérias-primas locais como cúrcuma, urucum, jenipapo, terra, carvão e mastruz, que foram misturadas ao látex, resultando em tintas naturais surpreendentes. As mulheres participaram de todo o processo, da colheita das plantas à aplicação nos tecidos, fortalecendo o vínculo entre conhecimento ancestral e prática contemporânea.

Em 2023 e 2024, com o apoio de um edital de pré-aceleração do Impact Hub Manaus, o Ateliê Yawa evoluiu para um modelo de negócios, consolidando visão, missão e estratégia. Dessa fase, surgiu o primeiro catálogo de peças, que foram comercializadas por lojas como a Maloca, a Tucum Brasil e outros revendedores parceiros.

O ano de 2025 marcou a estreia da primeira coleção autoral. Por meio de oficinas de moda junto à Maloca Lab, as mulheres idealizaram e desenharam as peças, realizando uma votação coletiva para selecionar os modelos-piloto. A pintura manual, realizada pelas mulheres da aldeia, integrou todo o processo criativo, culminando em um desfile realizado aos pés da cachoeira na Aldeia Akasha, nas montanhas do Rio de Janeiro. Oficinas de gestão e empreendedorismo também fortaleceram o aprendizado. 

Atualmente, 35 mulheres Yawanawá da Aldeia Nova Esperança estão ativamente envolvidas no Ateliê Yawa. A produção inicial das peças acontece de forma colaborativa: o corte e a costura são realizados na Maloca Lab e as peças são enviadas à Amazônia para serem pintadas pelas mulheres da aldeia, que recebem uma remuneração por cada peça, impactando positivamente a economia local e a renda de suas famílias.

Essa etapa foi viabilizada pela Teia da Sociobiodiversidade, iniciativa do Fundo Casa Socioambiental em parceria com o Fundo Socioambiental CAIXA, com apoio do Instituto Guardiões da Floresta e da Maloca.

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Moda ética, economia solidária e impacto ambiental reduzido

O Ateliê Yawa é uma celebração da tradição e da sabedoria das mulheres Yawanawá. Com o uso de linho ecológico, estamparia artesanal e tintas naturais, o projeto fomenta uma moda ética e responsável, alinhada à necessidade de repensar os impactos ambientais da indústria têxtil, especialmente nos processos de beneficiamento, tingimento e estamparia, reconhecidos como altamente poluentes devido ao uso intensivo de água e produtos químicos. A proposta do Ateliê Yawa alia desenvolvimento social à responsabilidade ambiental, buscando uma produção mais limpa por meio de matérias-primas e processos que minimizem os impactos negativos e respeitem os ciclos da natureza.

Cada peça produzida é mais do que uma roupa: é a materialização do desejo de promover transformação econômica, social e cultural dentro da própria comunidade. Ao adquirir uma peça do Ateliê Yawa, o público veste uma história de resistência, sabedoria ancestral e cuidado com a floresta.

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Impacto social, organização coletiva e autonomia

A organização interna do Ateliê Yawa se estrutura em grupos de gestão, estamparia, corte e costura e audiovisual. A comercialização inicial é feita por meio de parceiros e revendedores como a Maloca e a Tucum, que operam com uma taxa social justa, cobrindo os custos e garantindo a sustentabilidade do modelo. A comercialização inicial é feita por meio de parceiros revendedores

Durante a etapa mais recente, o projeto surpreendeu e revelou o interesse espontâneo por modelagem e costura da matriarca Dona Yuvá, entusiasmada em operar a máquina de costura. Momentos de profundo significado cultural também enriqueceram o processo, como a presença de Biraci Brasil Nixiwaka e Biraci Jr Isku Kua, grandes lideranças do povo.

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Pilares que sustentam a floresta e seu povo

O Ateliê Yawa se alicerça sobre pilares que reverberam a visão de um futuro próspero e autêntico para as comunidades indígenas:

  • Autonomia e geração de renda: O projeto mostra na prática como realizar a "economia da floresta em pé", demonstrando como a Amazônia pode ser fonte de renda para seus povos, promovendo uma melhor qualidade de vida e o acesso a recursos sem descaracterizar seu modo de vida.
  • Fortalecimento cultural: Através do resgate do conhecimento dos grafismos ancestrais, o Ateliê Yawa celebra e perpetua a riqueza cultural Yawanawá. 
  • Desenvolvimento artístico: O projeto é um espaço para a evolução contínua da expressão criativa das mulheres, impulsionando novas formas de arte.
  • Fortalecimento de vínculos: Acima de tudo, o Ateliê Yawa é um ambiente onde as mulheres se reúnem para colaborar, produzir e reforçar os laços comunitários que são a base de sua existência.

O Ateliê Yawa projeta um futuro de ainda maior autonomia e crescimento, com a construção de um ateliê físico na aldeia, planejado para ser erguido sobre o lago, permitindo que 100% do processo produtivo ocorra no próprio território, desde a concepção criativa até a comercialização. Este projeto, que busca captação via Lei Rouanet, representa um avanço fundamental para a autossuficiência das mulheres.

A formalização do Ateliê Yawa como cooperativa é também um passo essencial que fortalecerá a gestão coletiva e a sustentabilidade de longo prazo. 

Para contribuir com sua continuidade, a iniciativa busca parcerias estratégicas, doações e apoio à divulgação desta história de arte, cultura, economia solidária e empoderamento feminino indígena. O Ateliê Yawa convida todas as pessoas a conhecer e apoiar esta causa. 

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Para mais informações, entre em contato:

Contato: (68) 99905-0071 - Raquel Nawashahu | (24) 999490575 - Nara Mattos
Instagram: www.instagram.com/atelieyawa/
Doações: www.igf.org.br/projetos-atuais
Assessoria de imprensa: Amanda Sul
Fotos: Coletivo audiovisual da aldeia Nova Esperança