O Conselho Federal de Medicina (CFM) afirmou que mais de 13 mil estudantes que estão concluindo o curso de medicina no Brasi l não demonstraram preparo mínimo para exercer a profissão.
A avaliação é baseada nos resultados do Enamed 2025, divulgados nesta segunda-feira (13) pelo Ministério da Educação.
Segundo o exame, 13.871 dos 39.256 concluintes avaliados obtiveram conceitos 1 ou 2, classificados como crítico e insuficiente pela própria metodologia oficial.
Para o CFM, o dado confirma uma falha estrutural na formação médica e expõe a população a riscos imediatos no atendimento em saúde.
“Problema estrutural gravíssimo”, diz o conselho
Para o presidente do CFM, José Hiran Gallo, o desempenho abaixo do mínimo aceitável de mais de um terço dos formandos não pode ser tratado como um desvio pontual.
“Quando mais de um terço dos egressos de Medicina obtém desempenho considerado insuficiente pelo próprio MEC, estamos diante de um problema estrutural gravíssimo. São mais de 13 mil formandos que receberão diploma e registro para atender a população sem terem competências mínimas para exercer a medicina”, afirmou.
O conselho avalia que a situação coloca em risco a saúde e a segurança de milhões de brasileiros, uma vez que o Enamed não impede a concessão do registro profissional aos estudantes com baixo desempenho.
Os dados do Ministério da Educação mostram que a maioria dos cursos com desempenho crítico ou insuficiente pertence à rede privada.
Das 24 faculdades que receberam conceito 1, 17 são particulares. Entre as 83 que ficaram com conceito 2, 72 também são privadas.
Para o CFM, o resultado reforça a crítica à expansão acelerada de escolas médicas sem critérios mínimos de qualidade, infraestrutura adequada e campos de prática suficientes para a formação clínica.
Exame avalia cursos, mas não barra médicos
Outro ponto sensível destacado pelo conselho é a limitação do Enamed como instrumento de proteção ao paciente.
O exame avalia cursos de medicina, mas não funciona como filtro individual para o exercício profissional.
Mesmo com desempenho considerado insuficiente, o estudante conclui a graduação e pode obter registro para atuar como médico.
Na avaliação do CFM, isso transfere para o sistema de saúde e para a população o risco de profissionais sem preparo adequado.
Diante desse cenário, o conselho voltou a defender a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina, que seria obrigatório para a concessão do registro profissional, nos moldes do exame da OAB.
Segundo o CFM, avaliar instituições de ensino é atribuição do MEC, mas garantir que apenas médicos capacitados possam exercer a profissão é responsabilidade dos conselhos profissionais.
Como parâmetro de segurança, o CFM afirma que todos os cursos de medicina em funcionamento no país deveriam alcançar, no mínimo, conceito 4 no Enamed, nível em que ao menos 75% dos alunos demonstram bom desempenho, conforme a metodologia oficial.
Para a entidade, enquanto esse patamar não for exigido de forma efetiva, o país continuará formando médicos sem preparo mínimo, com impacto direto na qualidade do atendimento e na confiança da população no sistema de saúde.
