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Dependentes do FPM, cidades do interior do Acre veem isenção do IR como ameaça às contas públicas

Dependentes do FPM, cidades do interior do Acre veem isenção do IR como ameaça às contas públicas

Municípios de pequeno porte no Acre enfrentam um cenário de crescente preocupação fiscal a partir de 2026. A ampliação da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais deve provocar uma perda média de cerca de R$ 600 mil por ano nas receitas de muitas prefeituras acreanas, segundo gestores municipais. O impacto ocorre porque a medida reduz a base de cálculo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), principal fonte de financiamento das cidades menores.

O efeito é considerado grave sobretudo no interior do Estado, onde a arrecadação própria é limitada e a dependência de recursos federais é estrutural. De acordo com estimativas da gestão municipalista, entre 80% e 85% dos municípios do Acre sobrevivem quase exclusivamente de transferências constitucionais e emendas parlamentares, o que torna qualquer redução no FPM um fator de risco imediato para o equilíbrio das contas públicas.

A tentativa de compensação anunciada pelo governo federal, com um reajuste de 1,5% no FPM previsto para março de 2026, é avaliada como insuficiente. Prefeitos argumentam que o aumento não cobre as perdas provocadas pela nova faixa de isenção do IR, especialmente em cidades com baixa atividade econômica e alta dependência do funcionalismo público.

Outro ponto sensível é a saúde pública. Após a pandemia da Covid-19, os custos do setor permaneceram elevados, com manutenção de estruturas, contratos e equipes ampliadas naquele período. No entanto, os repasses extraordinários emergenciais foram encerrados, pressionando ainda mais os orçamentos municipais. “A despesa ficou, mas o recurso não”, resume um gestor ouvido pela reportagem.

O cenário se agrava com a fase de transição da Reforma Tributária, que começa em 2026. Prefeitos e entidades municipalistas demonstram receio quanto aos efeitos práticos da mudança no curto prazo. Segundo relatos, o processo teria avançado sem o nível de debate considerado adequado com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), o que gera incertezas sobre a compensação de perdas e a redistribuição de receitas durante a transição.

Para acompanhar dados oficiais sobre repasses, receitas e impactos orçamentários, gestores e cidadãos podem consultar o Portal do Tesouro Nacional e o site da Associação dos Municípios do Acre (Amac).