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Emagrecer sem tratar a causa é ilusão, diz o médico Nonato Anute em entrevista contundente

Emagrecer sem tratar a causa é ilusão, diz o médico Nonato Anute em entrevista contundente

No episódio desta semana do podcast Conversa Franca, o jornalista Willamis França recebeu o médico Nonato Anute, cirurgião geral com pós-graduação em nutrologia, para um bate-papo direto sobre obesidade, reeducação alimentar e o uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, que se tornaram febre no Brasil.

Logo na abertura, o convidado destacou que o tema “está em alta” porque a população tem dado mais atenção ao tratamento da obesidade e às mudanças de estilo de vida, reforçando a proposta do episódio: esclarecer dúvidas, quebrar tabus e orientar quem busca emagrecimento com segurança.

Obesidade não é estética: é doença crônica e sistêmica

Durante a conversa, Dr. Nonato foi enfático ao afirmar que a obesidade tem CID e é uma doença crônica, sistêmica e sem cura definitiva, cuja evolução está ligada ao “mundo moderno”: abundância de alimentos, facilidade de acesso a ultraprocessados e queda brusca de atividade física cotidiana.

Segundo ele, o problema não é “apenas peso na balança”. A gordura em excesso tem caráter inflamatório, “machuca os órgãos” e, com o tempo, favorece o surgimento de outras doenças. O médico também explicou que a obesidade pode ser consequência de fatores emocionais (ansiedade, depressão, compulsão), hormonais e metabólicos (tireoide, suprarrenal, ovários), além do sedentarismo e do padrão alimentar.

Emagrecimento de verdade: perder gordura e preservar massa muscular

Um dos pontos centrais do episódio foi a distinção entre “perder peso” e “emagrecer”. Para o médico, emagrecer é reduzir gordura corporal mantendo massa muscular, e isso exige estratégia individualizada.

Ele defendeu que antes de qualquer medicação é essencial descobrir o mecanismo que levou ao ganho de gordura: “a base do tratamento é definir a causa”. A partir disso, entram os pilares que, segundo ele, são inevitáveis para qualquer paciente: atividade física diária e alimentação saudável de forma contínua.

“Falso magro” e por que o IMC pode enganar

Ao comentar casos comuns no consultório, Dr. Nonato chamou atenção para o conceito de “falso magro”: pessoas que estão “dentro do peso”, mas possuem mais gordura do que massa muscular, apresentando sinais típicos de um corpo inflamado — como cansaço, ansiedade, irritabilidade, sono ruim e baixa disposição.

Ele criticou o uso do IMC como único parâmetro e explicou que a avaliação correta deve considerar composição corporal (percentual de gordura e massa muscular). Para ilustrar, citou que alguém pode ter IMC alto por ter muita massa muscular e não ser obeso de fato, enquanto alguém com peso “normal” pode ter obesidade metabólica.

Gordura visceral: o perigo silencioso (especialmente nos homens)

O médico destacou ainda que homens, apesar de emagrecerem com mais facilidade por conta da testosterona e maior massa muscular, tendem a acumular gordura visceral — aquela localizada “por dentro”, próxima a órgãos como o fígado.

Ele relacionou o excesso de gordura visceral ao aumento do risco de infarto, AVC, esteatose hepática, cirrose e até associação com alguns tipos de câncer, reforçando que a obesidade deve ser entendida como inflamação sistêmica, onde quer que a gordura esteja em excesso.

Canetas emagrecedoras: o maior risco não é a caneta — é o uso sem plano (e o mercado clandestino)

Ao entrar no tema das “canetas”, Dr. Nonato fez uma divisão clara:
• Produto regular (farmácia/fornecedor rastreável): tende a ter menor risco quando usado com orientação, doses conhecidas e procedência. O alerta principal aqui, segundo ele, é a frustração: gastar caro e ter apenas perda de “peso”, sem mudar a causa da obesidade e sem preservar massa muscular.
• Mercado paralelo/WhatsApp/contrabando: aqui ele foi duro: os riscos seriam “infinitos”, porque não há garantia de transporte adequado (refrigeração), autenticidade, composição ou pureza. Citou inclusive casos noticiados no Brasil envolvendo óbito e reforçou que, muitas vezes, nem é possível saber o que a pessoa aplicou de verdade.

O médico também alertou para contraindicações importantes, mencionando risco em casos específicos como câncer medular de tireoide, e reforçou que doses abusivas podem levar a quadros ruins como desidratação e desequilíbrio metabólico.

“Efeito rebote”: remédio não é cura, é muleta

Outro trecho que gerou destaque foi a explicação sobre o “efeito rebote”. Para Dr. Nonato, depositar a fé apenas na medicação é um erro, porque o remédio ajuda a conduzir o processo, mas não resolve hábitos e causas emocionais. Se a pessoa interrompe e volta aos padrões antigos (como compulsão por doce), o ganho de gordura retorna — muitas vezes maior.

Ele observou, porém, que há pacientes que podem precisar de uso prolongado, sobretudo quando há obesidade grave e alterações metabólicas importantes. Também afirmou que a tendência é o acesso ampliar com o tempo e que novas drogas devem surgir (citando a retatrutida como promessa futura).

Bariátrica em queda e a crítica: “a doença não está no estômago”

Quando o assunto foi cirurgia bariátrica, Dr. Nonato defendeu que, quando há opção, a medicação é menos agressiva do que cirurgia, e apontou que a bariátrica não trata as causas da obesidade. Ele explicou o fenômeno da “lua de mel” (perda grande nos primeiros meses) e a chance de reganho quando ansiedade, compulsão, atividade física e reposições nutricionais não são acompanhadas de perto.

Sobre o aspecto “cadavérico”/muito magro em alguns pós-bariátricos, atribuiu isso à falta de tratamento das causas e à ausência de acompanhamento adequado, incluindo reposição de vitaminas e manejo de comportamento alimentar.