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POLÍCIA

Padrasto de adolescente acusado de ataque no Instituto São José quebra silêncio e nega ameaças à escola

Padrasto de adolescente acusado de ataque no Instituto São José quebra silêncio e nega ameaças à escola

O advogado Ruan Amorim, padrasto do adolescente de 13 anos acusado de matar duas funcionárias do Instituto São José, em Rio Branco, falou pela primeira vez sobre a tragédia que abalou o Acre nesta semana. Em entrevista concedida ao Notícias da Hora, ele negou ter ameaçado a direção da escola anteriormente, afirmou que o menor nunca apresentou comportamento agressivo dentro do ambiente familiar e declarou que não sabe como o adolescente conseguiu acesso à arma usada no crime.

O ataque ocorreu dentro do colégio e terminou com duas servidoras mortas a tiros, além de outras pessoas feridas, incluindo um estudante. Segundo informações obtidas por investigadores e relatos de testemunhas, as vítimas foram atingidas principalmente na região da cabeça. Imagens do circuito interno da escola, analisadas por policiais, mostram que o adolescente teria agido de forma calculada, aguardando o momento para efetuar os disparos.

De acordo com Ruan Amorim, ele soube da tragédia após receber uma ligação da companheira, mãe do adolescente, informando que um coronel da Polícia Militar havia pedido que ela comparecesse ao quartel da corporação. Naquele momento, segundo ele, a família ainda acreditava que o jovem pudesse ter sido vítima de algum acidente dentro da escola.

“Quando me aproximei do colégio e vi várias viaturas e ambulâncias do Samu, desci desesperado para tentar entender o que estava acontecendo”, relatou.

O padrasto contou que, conforme as primeiras informações começaram a surgir, percebeu que a arma utilizada poderia ser de sua propriedade e imediatamente apresentou o registro do armamento às autoridades policiais. Segundo ele, a pistola era legalizada e de uso permitido.

Ruan afirmou ainda que colaborou com a investigação desde o primeiro momento, autorizando buscas em sua residência e acompanhando os policiais até o imóvel. Segundo ele, a arma ficava guardada em um quarto trancado.

“Não consigo explicar como ele teve acesso ao armamento. Isso é algo que a Polícia Civil vai esclarecer durante a investigação”, declarou.

Ele confirmou que existiam apenas dois carregadores da arma, um principal e outro reserva, ambos sem a capacidade máxima de munições.

Durante a entrevista, Ruan também negou que o adolescente tivesse histórico de violência ou comportamento agressivo. Segundo ele, o jovem era “tranquilo, obediente e amoroso”, sem registros de explosões emocionais ou reclamações constantes relacionadas ao ambiente escolar.

O advogado também rebateu as informações de que o adolescente sofria bullying dentro da escola e que a família teria ignorado sinais anteriores.

“Em nenhum momento houve reclamação sobre violência psicológica, violência física ou bullying na escola. A mãe não tinha ciência, o pai também não tinha conhecimento e ninguém da família sabia de algo nesse sentido”, afirmou.

Segundo ele, muitas pessoas passaram a questionar uma possível negligência da família após a tragédia, mas, de acordo com o relato, o comportamento do adolescente dentro de casa não levantava suspeitas.

“As características em casa eram de uma pessoa tranquila, de uma criança saudável, que se dava bem conosco e na interação social. Não havia reclamações e também não existiam providências que pudéssemos tomar para evitar uma ação extrema como essa. Nunca houve reclamação de bullying. Ele nunca reclamou”, disse.

Apesar disso, informações preliminares investigadas pela polícia apontam que o adolescente participava de grupos virtuais relacionados a ataques em escolas e jogos de tiro. O padrasto confirmou que o menor costumava jogar games online de tiro no computador, mas descartou especificamente o jogo Free Fire.

“Acredito que jogos possam influenciar de alguma forma no manuseio, mas ele nunca teve contato real com armas enquanto esteve comigo”, afirmou.

Outro ponto abordado foi a informação divulgada nas redes sociais de que Ruan teria ido anteriormente ao Instituto São José reclamar de supostos episódios de bullying sofridos pelo adolescente e que teria feito ameaças veladas à escola. O advogado negou a acusação.

“Essa informação é completamente falsa. Nunca fui ao colégio fazer cobranças, ameaças ou qualquer tipo de intimidação. Isso pode ser comprovado pelas imagens de segurança e pela própria direção da escola”, disse.

Segundo ele, caso houvesse qualquer problema envolvendo o adolescente, a situação seria tratada pelos responsáveis legais, e jamais pelo menor sozinho.

A tragédia gerou forte repercussão em todo o estado. Após o crime, o adolescente se apresentou espontaneamente no Comando-Geral da Polícia Militar. De acordo com a comandante da PM do Acre, coronel Marta Renata, ele chegou sozinho ao local e confessou participação no ataque.

O caso também resultou na exoneração de Ruan Amorim do cargo público que ocupava. Sobre a decisão do governo, ele afirmou respeitar a medida, embora discorde dela.

“Entendo que a sociedade precisava de respostas. Respeito a decisão da governadora”, comentou.

Ao final da entrevista, o padrasto do adolescente manifestou solidariedade às famílias das vítimas e à comunidade escolar.

“Sou pai e sei o quanto tudo isso é doloroso. Nenhuma família merece passar pelo que está acontecendo. Compartilho da dor de todos e desejo força nesse momento tão difícil”, concluiu.