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POLÍTICA

"Acre precisa de representação forte, político de ficha limpa e verdadeiramente comprometido com o desenvolvimento", diz Mara Rocha

"Acre precisa de representação forte, político de ficha limpa e verdadeiramente comprometido com o desenvolvimento", diz Mara Rocha

A história dos partidos políticos no Brasil é marcada por alguns períodos de negação, uma vez que, nos regimes autoritários, a existência destes era vista como ameaça aos governantes. A abertura política, no entanto, permitiu a criação de novas agremiações e o campo de centro-esquerda, destacadamente com o PT, ganhou protagonismo.

O discurso progressista, centrado no papel do estado como provedor do bem-estar social e na retomada do crescimento econômico, causou muitas expectativas, que foram frustradas com a ascensão do esquerdismo à Brasília. A decadência do establishment político fez emergir novos partidos de direita, mas foi a partir eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, que fez a direita alinhar um discurso e se tornar alternativa por todo o Brasil.

Em 2018, após ser demitida da TV Gazeta por perseguição política, a jornalista Cylmara Fernandes da Rocha Gripp, 52 anos, tornou-se a deputada federal mais bem votada do Estado com mais de 40 mil votos. Para a surpresa de muitos, depois da decisão estapafúrdia do STF, em descondenar o ex-presidente Lula, tornando-o elegível, a esquerda voltou ao poder, desta feita com mais voracidade e sustentada pela Corte Maior, que tem superpoderes.

Por muitos anos, Mara Rocha foi apresentadora de um telejornal da TV Gazeta/Record e, aos domingos, apresentava o programa “Acre Rural”, voltado ao agronegócio. Ela acredita que, a partir desse setor, com a natural agroindustrialização de seus produtos, o Acre pode sair da condição de pobre para se tornar um Estado desenvolvido, com um povo próspero e feliz. “Temos terras boas, uma localização estratégica e gente trabalhadora”, disse ela, que já passou pelo PSDB e o MDB.

No início do ano, a ex-deputada oficializou sua filiação ao Republicanos em Brasília. Pré-candidata ao Senado, ela foi recebida pelo presidente nacional do partido, deputado Marcos Pereira (SP), num ato prestigiado pelo deputado Roberto Duarte e pelo senador Alan Rick, ambos do mesmo partido. Para a série “Papo com pré-candidatos ao Senado”, ela falou com exclusividade ao Notícias da Hora. Vejam os principais trechos da entrevista:

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NH - Por que a senhora é pré-candidata ao Senado da República?

Mara Porque estou preparada. O Acre precisa de representação forte, político de ficha limpa e verdadeiramente comprometido com o desenvolvimento do nosso Estado e do nosso país. Entro nessa disputa com a convicção de que a política deve ser exercida com seriedade e resultados, e é exatamente isso que entreguei ao Acre enquanto deputada federal. Tive apenas um mandato, e nesse curto período trabalhei com foco absoluto nas necessidades reais do povo acreano. Atuei de forma propositiva e eficiente, aplicando cada recurso público com responsabilidade e transparência, beneficiando a nossa gente. Os resultados são concretos, visíveis e continuam aparecendo a todo momento e gerando benefícios até hoje, mesmo quatro anos após o término do meu mandato. Quero continuar esse trabalho, com muito mais força política e maior capacidade de articulação que o Senado propicia. Quero trabalhar pela integração do Acre, fortalecer a saúde, impulsionar a infraestrutura e caminhar ao lado do futuro governador para transformar o nosso Estado em um lugar de oportunidades. Estou nessa missão por amor à nossa terra e pela certeza de que o Acre pode e merece muito mais. Estou pronta para essa nova etapa e preparada para representar o nosso povo.

NH – O que a senhora vai dizer para ganhar as mentes e os corações dos eleitores acreanos?

Mara - Acredito que a melhor forma de ganhar mentes e corações é com verdade, coerência e trabalho comprovado. Vou apresentar os resultados concretos do nosso mandato e mostrar que fiz muito em apenas quatro anos como deputada federal e, no Senado, posso fazer muito mais pelo nosso estado. Projetos de lei, obras e investimentos importantes em todas as áreas e regiões, ações e benefícios frutos do nosso olhar e que continuam fazendo diferença na vida das pessoas. Vou mostrar os projetos de lei importantes que defendi, as ações que fortaleceram os produtores rurais, recursos para a causa autista, o apoio às pessoas com deficiência, às casas terapêuticas, o trabalho pela regularização fundiária garantindo segurança jurídica às famílias, além de outras pautas que defendi na Câmara Federal. Também vou destacar conquistas históricas, frutos do nosso mandato, que continuam transformando vidas, como a Ala de Quimioterapia do Hospital de Amor, que hoje oferece tratamento digno aos acreanos; além de recursos que destinei para a obra mais importante do Alto Acre: a ponte que vai melhorar a trafegabilidade entre Epitaciolândia e Brasiléia, uma obra estratégica que impulsionará o desenvolvimento de toda a região do Alto Acre. Como senadora teremos muito mais força e poder de articulação para trazer melhorias concretas para o nosso Estado.

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NH - A economia acreana cresce a cada ano, mas isso só aconteceu a partir de 2019. Por que?

Mara - Com todo respeito, eu discordo da afirmação de que a economia do Acre está crescendo de forma consistente. Os números mostram exatamente o contrário. Quando analisamos os indicadores nacionais, percebemos que o nosso estado enfrenta um dos momentos mais desafiadores de sua história econômica e social. O Acre tem uma das maiores taxas de desemprego do país, um dos piores índices de saneamento básico e enfrenta graves dificuldades na geração de oportunidades para sua população. Isso se reflete no dado mais alarmante: mais de 50 mil acreanos deixaram o estado nos últimos anos, buscando emprego e melhores condições de vida em outras regiões. Nenhum estado economicamente saudável perde sua população em ritmo tão acelerado. Além disso, cresce a cada ano o número de famílias vivendo em situação de pobreza ou extrema pobreza, dependentes exclusivamente de programas federais de transferência de renda. Isso não é sinal de prosperidade, é sinal de fragilidade estrutural. A falta de apoio aos produtores rurais, que são a base da nossa economia, agrava ainda mais esse cenário. Sem incentivo, sem infraestrutura adequada, sem estradas trafegáveis e sem segurança para produzir, fica impossível sustentar um ciclo de crescimento econômico verdadeiro. Portanto, embora alguns discursos tentem criar a impressão de avanço, os dados mostram que o Acre não vai bem. O nosso estado precisa de políticas sérias, planejamento, coragem para enfrentar os gargalos e capacidade de articulação para trazer investimentos estruturantes. Eu conheço essa realidade, enfrentei esses desafios no meu mandato e estou pronta para ajudar o Acre a sair desse ciclo de estagnação. O Acre merece uma economia forte, que gere emprego, renda e oportunidades e não apenas narrativas.

NH - Comente sobre a crise institucional em curso no Brasil

Mara - Vivemos hoje uma grave crise institucional, com riscos reais à existência do Estado Democrático de Direito, que, a meu ver, está seriamente comprometido pelos constantes desrespeitos à nossa Constituição Federal e aos direitos e garantias individuais. Mesmo para aqueles que hoje aplaudem esses abusos, é bom lembrar que esse cenário pode se inverter e que os perseguidos podem se tornar perseguidores. Portanto, acredito que só podemos pensar em uma verdadeira democracia quando houver independência e harmonia entre os Poderes, com o Supremo retornando ao seu papel de corte constitucional e deixando questões criminais e cíveis para os demais órgãos do Judiciário, como ainda hoje prevê a nossa Constituição Federal. Não podemos esquecer que tão grave quanto esses abusos é a omissão de quem deveria contê-los: o Senado Federal. A grande maioria de seus membros responde a processos criminais no STF e, portanto, não é razoável acreditar que senadores em situação de vulnerabilidade diante dos ministros possam ter postura diferente da omissão. Lembro-me de ver senadores, inclusive alguns da direita, posicionarem-se contra, e até atuarem abertamente para barrar, a CPI da “Lava Toga”. Também vi esses mesmos senadores votarem e até elogiarem indicados ao STF, que deixavam claras suas posições e compromissos político-ideológicos. Só acredito em uma verdadeira mudança do atual status quo com uma renovação do Senado, composta por nomes íntegros e que não estejam sujeitos à intimidação por parte de ministros do STF.

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NH – A senhora é de direita.

Mara - Sim, ao contrário de muitos que já militaram na esquerda, eu sempre estive no campo da direita. Não aposto no radicalismo, sempre defendi com firmeza as minhas posições. Nós, liberais de direita, acreditamos nos princípios e valores que sustentam a civilização ocidental: a defesa da vida, da liberdade, da propriedade privada, da família tradicional e da livre iniciativa. Acredito na geração de oportunidades, emprego e renda por meio do fortalecimento da iniciativa privada. Defendo um Estado eficiente, e não um Estado gigante e controlador. Acredito em menos burocracia, menos interferência estatal na vida das pessoas e mais liberdade para quem quer produzir, empreender e trabalhar. A livre iniciativa, a liberdade econômica, a segurança jurídica e o direito à propriedade são pilares fundamentais para um país forte. Sempre trabalhei focada em resultados para beneficiar a nossa população. Apresentei melhorias concretas que beneficiaram a todos, independentemente de correntes ideológicas. Defendo políticas que estimulem o agronegócio, amparem os menos favorecidos, fortaleçam os pequenos e médios empreendedores, ampliem a geração de emprego e renda e garantam condições para que cada cidadão possa construir sua própria história com autonomia e dignidade. Também apoio e defendo o combate rigoroso à corrupção, a responsabilidade com o dinheiro público e a gestão transparente dos recursos. Meu compromisso é com o Acre e com o Brasil.

NH – Como a senhora avalia a atual situação do Acre?

Mara – Vivemos por 20 anos sob a administração da Frente Popular, e consigo reconhecer tanto os acertos quanto os erros daquela gestão. Obras importantes foram entregues e a capital passou por transformações relevantes.

Quanto aos erros, ao menos na minha avaliação, eles estão diretamente ligados ao modelo econômico adotado, que buscava nos levar de volta ao extrativismo, ao corte da seringa, à coleta de castanha e de sementes. Isso, somado ao rigor excessivo com que nossos produtores rurais foram tratados, especialmente os pequenos, fez com que muitos abandonassem suas propriedades e migrassem para engrossar a periferia das nossas cidades.

A comparação com Rondônia é inevitável. O Acre já teve um rebanho maior e produzia muito mais que o nosso estado vizinho. Após 20 anos de Frente Popular, fomos superados. Rondônia vive hoje uma situação de pleno emprego e de muitas oportunidades, enquanto nós ainda tentamos recuperar o tempo perdido e voltar à nossa vocação natural: o agronegócio, a pecuária, a soja, o milho, o café, a fruticultura, entre outras cadeias produtivas. É até curioso ver antigos defensores de um modelo exclusivamente florestal hoje se rendendo ao potencial do café. Quanto ao atual governo, não consigo identificar um projeto claro, um rumo. Não considero correto gastar, em poucos meses, mais de 31 milhões em shows, enquanto enfrentamos problemas crônicos na educação, na saúde, na segurança e na infraestrutura. Acredito que existem prioridades mais urgentes. Trata-se, até agora, de um governo com pouquíssimas entregas, sem mencionar os diversos indícios de irregularidades apontados pelos órgãos federais de controle, assunto que cabe à Justiça. Reconheço, porém, que o atual governo teve ao menos a virtude de não atrapalhar os nossos produtores rurais, embora ainda não tenha resolvido questões básicas, como acesso, logística e assistência técnica.

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NH – O Acre, no início do século passado, gerou muitas divisas para o Brasil. A nossa borracha só perdia para o café em exportação. Sabendo dessa dívida histórica, o faria para garantir aportes financeiros para alavancar a nossa economia?

Mara – Vamos buscar recursos e programas federais para melhorar a infraestrutura e a integração do Estado, com foco na construção de pontes, estradas e na recuperação de vias estratégicas. Isso aquecerá o setor da construção civil e, consequentemente, promoverá a geração de postos de trabalho. Quero destacar que lutarei pela reconstrução completa da BR-364, que liga Rio Branco ao Vale do Juruá e que hoje se encontra em situação crítica. Essa obra é essencial para integrar o Acre, reduzir custos logísticos e fortalecer a circulação de produtos. Também vamos lutar para viabilizar a integração dos municípios isolados do nosso Estado. Além disso, defenderemos a construção da Estrada Bioceânica, ligando Cruzeiro do Sul a Pucallpa, no Peru. Vamos propor a criação de linhas de crédito e incentivos econômicos para fortalecer a produção rural, bem como programas que estimulem a industrialização e ampliem as condições para o desenvolvimento da agricultura familiar. Outro eixo fundamental será garantir recursos parlamentares para cooperativas, associações e cadeias produtivas regionais, modernizando e ampliando a capacidade de produção e gerando renda e desenvolvimento em todas as regiões do Acre. O Acre tem vocação agropecuária, falta força política para transformar esses ativos em desenvolvimento. E é exatamente isso que levarei ao Senado.

NH – Comente sobre a estrada de ferro bioceânica

Mara - Hoje temos uma rodovia bioceânica que nos liga aos portos do Pacífico e aos mercados andinos e asiáticos. Mas precisamos avançar ainda mais. É fundamental abrir uma nova rota para os pontos estratégicos do Peru e incluir definitivamente o Juruá nesse processo de integração. Existe uma estrada prevista desde o decreto de criação do Parque Nacional da Serra do Divisor. São pouco mais de 200 quilômetros separando Cruzeiro do Sul da fronteira com Pucallpa, no Peru, uma rota capaz de impulsionar toda a economia do Juruá. Diferentemente da outra rodovia, que chega a quase 5.000 metros de altitude, essa nova via cruzaria a cordilheira a menos de 2.500 metros, permitindo o tráfego de cargas de todos os tamanhos e reduzindo significativamente a distância até o Pacífico. Mas também é verdade que precisamos nos preparar para essa nova rota, qualificando nossos empresários para as oportunidades de negócios que ela trará. Para citar apenas um exemplo: estamos a poucos quilômetros de regiões que extraem calcário e outros insumos essenciais para a nossa agricultura e pecuária.

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NH – O que a senhora propõe para a Saúde?

Mara - Como senadora, vou investir fortemente no tratamento oncológico e no tratamento das pessoas com deficiência. A saúde será uma prioridade absoluta no meu mandato no Senado. Conheço de perto os desafios enfrentados nas nossas regionais e sei exatamente onde o Acre precisa avançar para garantir atendimento digno, moderno e eficiente à população. E quero deixar claro: meu foco central será o fortalecimento do tratamento oncológico no Acre. A realidade dos pacientes com câncer é dura. Diagnóstico tardio, falta de exames, carência de especialistas e estruturas insuficientes. Já conquistamos avanços importantes, como a Ala de Quimioterapia e o Laboratório de Quimioterápicos do Hospital de Amor, uma vitória histórica construída com o meu trabalho como deputada federal. No Senado, vou ampliar esse legado. Vou direcionar recursos para equipamentos de alta tecnologia, exames de imagem, mamografias, tomografias e estruturas que possibilitem diagnóstico rápido e tratamento completo no próprio estado. Não é admissível que acreanos ainda precisem buscar exames em Rondônia por falta de estrutura aqui. Também defendo uma mudança profunda na organização da rede oncológica: mais prevenção, mais diagnóstico precoce e unidades regionais preparadas para detecção e acompanhamento, evitando que vidas sejam perdidas simplesmente por demora no atendimento. Outro eixo fundamental será o cuidado às crianças e às pessoas com deficiência. O Acre precisa urgentemente de centros de atendimento multidisciplinar em todos os municípios, para que famílias não precisem viajar até Rio Branco ou Cruzeiro do Sul em busca de terapias, consultas ou acompanhamento especializado. Isso é respeito, humanização e compromisso com quem mais precisa. Além disso, nossa rede hospitalar precisa ser modernizada. Como senadora, vou atuar para garantir recursos ao governo do Estado, que permitam: Equipar hospitais regionais; modernizar estruturas físicas; ampliar leitos e serviços especializados; expandir o atendimento em nefrologia para municípios; levar profissionais, exames e atendimentos para perto das famílias acreanas. E essa será uma das minhas maiores missões no Senado Federal. Contribuir para melhorar a saúde dos nossos irmãos acreanos.

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