O impasse jurídico que há anos impede a retomada das obras da BR-319, estrada que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), ganhou um novo capítulo com o aval do Ministério dos Transportes para uma empresa citada em investigação no Acre. Quatro pregões foram abertos para a escolha das construtoras que farão a pavimentação do trecho do meio da via. Defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que visita o Amazonas a partir desta terça-feira, a reconstrução da rodovia enfrenta resistência de ambientalistas, que veem no asfaltamento uma ameaça a uma das áreas mais preservadas da Floresta Amazônica.
Nessa segunda-feira, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) homologou a vitória da construtora Etam LTDA no edital referente ao trecho entre os quilômetros 469 a 590 da rodovia. O valor acordado foi de R$ 362 milhões, bem abaixo do orçamento previsto pelo órgão (R$ 430 milhões).
A empresa foi um dos alvos da Polícia Federal (PF) na Operação Ptolomeu, que mirou a cúpula da gestão de Gladson Cameli (PP) à frente do Executivo do Acre. Em maio deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou Cameli a 25 anos e nove meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.
