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POLÍTICA

Eleição na Ufac: disputa entra em nova fase e desconstrói previsões iniciais

Eleição na Ufac: disputa entra em nova fase e desconstrói previsões iniciais

A eleição para a reitoria da Universidade Federal do Acre entrou em uma nova fase. O que antes era tratado como especulação passou a se organizar como disputa concreta, com dois nomes se destacando: o vice-reitor Josimar Batista e o pró-reitor de Extensão Carlos Morais. A leitura inicial de um processo previsível já não se sustenta.

Os dois candidatos não surgem de trajetórias opostas. Ao contrário, são produtos de um mesmo arranjo político-administrativo que conduziu a universidade nos últimos anos. O que os separa agora não é a origem, mas a forma como cada um interpreta esse percurso e se posiciona diante dele.

Josimar Batista iniciou seu movimento mais cedo. Há cerca de dois anos passou a se apresentar como alternativa para a reitoria, apoiado na visibilidade institucional do cargo e na expectativa de continuidade. Engenheiro agrônomo, com carreira consolidada na Ufac, manteve-se como um nome competitivo. Mais recentemente, adotou um discurso crítico em relação às falhas da gestão atual. Essa mudança, no entanto, gera questionamentos. Josimar integrou o grupo dirigente por décadas e o rompimento ocorreu às vésperas do processo eleitoral, o que fragiliza a narrativa de distanciamento e levanta dúvidas sobre a consistência da crítica.

A decisão de seguir sem o apoio do grupo que o levou à vice-reitoria amplia sua autonomia, mas reduz sua capacidade de articulação interna. A chapa formada com o professor Marco Amaro, engenheiro florestal, é tecnicamente qualificada, porém concentrada em áreas tradicionalmente mais tecnicistas. Isso limita o diálogo com campos como educação, saúde, ciências humanas e jurídicas, que exercem influência significativa no processo eleitoral.

Carlos Morais adota uma estratégia distinta. Avança de forma gradual, com menos exposição e maior ênfase no diálogo. Graduado em filosofia e teologia, ainda não oficializou sua pré-candidatura, mas ampliou a escuta junto à comunidade acadêmica. Seu discurso evita rupturas e críticas diretas, concentrando-se na ideia de renovação sem ruptura, projetando a gestão para o futuro.

Com o apoio da atual administração, Carlos Morais trouxe para o debate o nome da professora Almecina Balbino Ferreira como possível vice. Pesquisadora com reconhecimento nacional, engenheira agrônoma e atual pró-reitora de inovação e tecnologia, Almecina amplia o alcance da chapa ao transitar entre áreas técnicas, incluindo as ciências agrárias e demais áreas e setores centrais da universidade. Além disso, matém a expectativa de representatividade feminina na direção da UFAC, tema de relevância nas instituições de ensino superior.

Ainda não há um cenário de definição. O que se observa é uma eleição mais competitiva do que se previa inicialmente, em que o discurso, a capacidade de articulação e a leitura correta do momento institucional tendem a pesar mais do que alianças antecipadas. O resultado permanece em aberto.