No podcast Conversa Franca desta segunda-feira 13, o jornalista Willamis França recebeu o reitor eleito da Universidade Federal do Acre, professor Josimar Batista. Entre os temas centrais do bate-papo, esteve o combate ao assédio dentro da universidade — uma pauta que, segundo o futuro gestor, será tratada com prioridade absoluta.
Ao ser questionado sobre como pretende lidar com denúncias de assédio envolvendo servidores e gestores, Josimar Batista foi enfático ao afirmar que sua gestão adotará uma política de “tolerância zero” ao problema. De acordo com ele, o enfrentamento ao assédio fará parte de uma política transversal dentro do plano de gestão, sendo um dos principais eixos estruturantes.
“O assédio é uma pauta que surgiu com muita força durante o processo eleitoral. Em diversas conversas, inclusive mais reservadas, sempre havia relatos sobre esse tipo de situação. Isso mostra que precisamos de políticas institucionais claras e efetivas”, destacou.
O reitor eleito explicou que a universidade já possui instrumentos normativos, como cartilhas, comissão de ética e acompanhamento de órgãos de controle, mas reconheceu que ainda há falhas, especialmente na informação e no acesso aos mecanismos de denúncia. Segundo ele, muitas vítimas não sabem como agir diante de situações de assédio.
Outro ponto criticado por Josimar é a prática recorrente de afastar o servidor vítima, em vez de responsabilizar o agressor. “Muitas vezes, o que acontece é a remoção da vítima, o que passa a sensação de que o assediador está sendo premiado. Isso precisa mudar”, afirmou.
Entre as propostas apresentadas, está a criação de uma corregedoria dentro da universidade, que atuará em parceria com a comissão de ética, ouvidorias e processos de sindicância. A ideia é dar mais celeridade às apurações, já que, atualmente, processos administrativos podem levar meses, o que desestimula denúncias e gera descrédito.
Além disso, o plano prevê o fortalecimento da chamada “escola do servidor”, com foco na capacitação desde o ingresso na instituição. A proposta inclui também a ampliação de canais de comunicação e acolhimento, com atenção especial às mulheres, por meio de uma ouvidoria específica.
Josimar Batista também destacou a importância do suporte psicológico, mencionando o papel dos serviços-escola, como o de Psicologia, no acompanhamento de casos que podem evoluir para adoecimento mental. “Temos muitos servidores afastados por questões que, muitas vezes, começaram com situações de assédio aparentemente simples, como piadas ou constrangimentos”, alertou.
Com uma comunidade acadêmica que reúne cerca de 8 mil pessoas circulando diariamente e mais de 50 cursos de graduação, o reitor eleito reforçou que o combate ao assédio precisa ser tratado como uma política institucional ampla, envolvendo servidores, professores e estudantes.
Por fim, Josimar ressaltou que todas as medidas serão conduzidas dentro dos princípios legais, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório, mas sem abrir mão da responsabilização quando comprovadas irregularidades.
“Se tiver que punir, que se puna. O importante é que haja transparência, seriedade e compromisso com um ambiente saudável dentro da universidade”, concluiu.
