A tensão registrada na terça-feira, 24, expôs um racha entre o presidente da Câmara de Rio Branco, vereador Joabe Lira (UB), e parlamentares da própria base, entre eles João Paulo (Podemos). No centro do embate está o orçamento do Legislativo para 2026 — e uma diferença que pode chegar a milhões de reais.
Durante conversa com a imprensa, por telefone, Joabe Lira negou qualquer aumento além do valor já aprovado pela Câmara e rechaçou rumores de que teria escondido informações dos colegas parlamentares.
“O orçamento que foi aprovado pela Câmara é de R$ 67 milhões. Eu desconheço esse aumento. Se alguém está falando em mais R$ 7 milhões, precisa mostrar de onde saiu”, afirmou o presidente.
Questionado sobre comentários de que vereadores estariam cogitando pedir seu impeachment, Joabe reagiu em tom de desafio. “Quero saber quem está pedindo. Não tenho conhecimento disso. Se falar e não provar, está mentindo”, declarou.
Ele também rebateu críticas de que teria acusado os parlamentares de não colaborarem com a contenção de despesas no ano anterior. “Colaboraram, sim. Essa história de que eu disse o contrário não procede”, sustentou.
“Ele não agrega”, dispara João Paulo
Do outro lado da crise, João Paulo adotou um discurso mais duro. O vereador confirmou que houve discussão na reunião interna e admitiu insatisfação com a condução da presidência. “Eu me arrependo do meu voto. Para mim, o Joabe não agrega”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a tensão começou após os vereadores Neném Almeida, Fábio Araújo e Ayache, relatarem que, em reunião com o secretário municipal de Finanças, teriam recebido a informação de que o orçamento da Câmara poderia chegar a R$ 71 milhões em 2026, em razão do aumento da arrecadação do município.
“Se o município arrecadou mais, o orçamento da Câmara aumenta automaticamente. Por que essa informação não foi repassada aos 21 vereadores? É pública”, questionou João Paulo.
Ele também contestou a fala atribuída ao presidente de que os parlamentares não teriam ajudado na economia da Casa. “Todos abriram mão de benefícios, como motoristas e viagens. Isso é ajudar, sim. Dizer que não ajudamos foi uma fala infeliz”, declarou.
Impeachment negado, clima mantido
Apesar da temperatura elevada, João Paulo negou que exista um movimento formal para afastar o presidente. “Não tem isso de impeachment. É calor do debate. Quando eu tenho algo a dizer, digo na cara”, afirmou.
A divergência, no entanto, deixou evidente o desgaste na relação entre a presidência e parte da base. Enquanto Joabe sustenta que o orçamento aprovado é de R$ 67 milhões e que qualquer valor adicional dependerá de repasses futuros, opositores internos apontam que a previsão pode ultrapassar os R$ 70 milhões ainda este ano.
Nos corredores da Câmara, a “conta de padaria”, como definiu um dos vereadores, virou argumento político. E, ao que tudo indica, a discussão sobre números deve continuar reverberando no plenário — com ou sem ameaça de impeachment.
