Josimar Batista destaca que as mudanças no modelo de financiamento, especialmente após limitações impostas ao orçamento público, fizeram com que as instituições passassem a depender cada vez mais de articulação política
No podcast Conversa Franca desta segunda-feira, o jornalista Willamis França recebeu o reitor eleito da Universidade Federal do Acre, professor Josimar Batista, para uma entrevista direta e aprofundada sobre os desafios da instituição.
Durante a conversa, um dos principais pontos abordados foi a real situação da universidade: estaria a UFAC em crise ou em processo de evolução? Mesmo antes de assumir oficialmente o cargo, Josimar foi enfático ao classificar o cenário como desafiador, especialmente do ponto de vista financeiro.
Segundo ele, as universidades públicas brasileiras vivem uma crise estrutural que não é recente. “Eu acho que nós não saímos nunca de uma crise”, afirmou. O futuro reitor destacou que as mudanças no modelo de financiamento, especialmente após limitações impostas ao orçamento público, fizeram com que as instituições passassem a depender cada vez mais de articulação política.
Josimar explicou que, atualmente, o orçamento das universidades federais não é suficiente para cobrir todas as demandas. “Se a universidade de hoje for viver apenas do orçamento discricionário, muito mal ela vai fechar o ano, pagando folhas e despesas básicas como energia e segurança”, pontuou.
Diante desse cenário, ele ressaltou a importância das emendas parlamentares como estratégia essencial para manter o funcionamento e viabilizar projetos estruturantes. A própria Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, segundo ele, tem atuado fortemente na defesa da recomposição orçamentária das universidades. Recentemente, houve uma recomposição de quase R$ 2 bilhões para ajudar as instituições a fecharem as contas do ano.
Outro ponto de atenção destacado por Josimar Batista é o desafio imediato da transição de gestão. Ele assumirá a reitoria em agosto, restando cerca de 60 dias para executar o orçamento disponível e garantir o fechamento financeiro até dezembro. “É um dos maiores desafios para qualquer gestor”, afirmou.
Além disso, o reitor eleito demonstrou preocupação com a manutenção dos contratos terceirizados, que envolvem áreas essenciais como limpeza e segurança. Apenas o contrato de limpeza da universidade, segundo ele, ultrapassa os R$ 12 milhões anuais. “Precisamos fechar as contas sem desempregar nenhum pai de família”, destacou.
A entrevista reforça um cenário de alerta para a educação superior pública, onde a gestão eficiente e a articulação política serão determinantes para garantir não apenas o funcionamento da universidade, mas também sua capacidade de avançar em ensino, pesquisa e extensão. Você pode assistir esse podcast completo no canal do Conversa Franca no YouTube.
